Brian Kenny
Odisseia Artístico-Pessoal de um Wigger
Por Miguel de Matos
Quem é leitor regular da Umbigo lembra-se concerteza da capa da edição 13, Slava Mogutin. Foi com Slava que o artista americano Brian Kenny veio a Portugal neste Verão – os dois criaram o colectivo Superm, desenvolvendo trabalho em vídeo, fotografia, desenho, grafitti, inatalação e mural. E foi com eles que a Umbigo passou alguns dias a fazer turismo dentro da nossa Lisboa e arredores. De Slava já vos contámos a história. Por isso aqui fica uma das muitas conversas tidas entre o Noobai, o Crew Hassan, a Brasileira, o cais do Ginjal e um quase secreto hostel no Saldanha….
Antes de mais, um esclarecimento acerca de um conceito que será útil no texto que se segue acerca Brian Kenny: wigger. O urbandictionary.com define wigger da seguinte maneira: Um indivíduo caucasiano do sexo masculino, normalmente nascido e criado nos subúrbios, e que demonstra um forte desejo de emular a cultura e o estilo hip hop afro-americano através da moda “bling” e princípios de conduta relativos à chamada “thug life”. A este conceito está também associado, em Portugal pelo menos, o fenómeno tuning.
Afinal de contas o que significa para ti o conceito wigger e o que pretendes dizer sobre isso? É uma crítica? É um elogio ao seu estilo?
Muitas pessoas usam esse termo de uma forma negativa. É como um branco chamar preto a um negro. Eu não vejo as coisas assim. Assumo-me como um wigger, mas viro o conceito de pernas para o ar e aceito-o. Eu gosto de ser um wigger. Não se trata exactamente da cultura negra, mas sim da cultura hip hop, que é muito mais abrangente e já não é uma questão de raça…
Mas podemos ir buscar outras interpretações, também pelo facto de ser um estilo associado a uma etnia… Existe a questão racial neste teu trabalho?
É a cultura hip hop que estes rapazes adoptam, embora isso ainda seja visto de um ponto de vista racial. O hip hop é o rock da minha geração. Cresci com este género musical sempre à minha volta. Na escola toda a gente vestia roupas de hip hop, é natural que eu goste disso. Mas conheço muitos brancos que são relutantes em relação a serem muito óbvios no que diz respeito a gostarem de hip hop porque não querem ser vistos como brancos a fingirem que são negros. E eu acho que isso é muito estúpido. É por isso que uso tanto esse termo. Não o vejo como algo negativo. Tem as suas raízes tradicionais entre as pessoas negras, mas hoje em dia move-se para além disso. Por outro lado, é óbvio que o termo wigger é uma distinção racial, por isso, tentar explicar o termo sem incluir a questão da raça não funciona. A série wigger não pretende falar de barreiras raciais. Fi-lo porque considero-me um wigger, gosto de wiggers e por isso decidi, juntamente com o Slava, fazer uma exposição com esse tema. É tão simples como isso.
E o que há de sexual nisso?
Porque acho os wiggers sexy? Não sei. Porque é que as pessoas acham que os saltos altos são sexy? Acho-os sexy e pronto. Quando se cresce sexualmente, muitos dos pensamentos sexuais têm a ver com aquilo que desejas ser. Quando eu era um miúdo, lembro-me que a maior parte dos rapazes populares da escola – e que eu queria imitar – eram wiggers. Usavam todos roupas largas, eram muito masculinos. A cultura hip hop orgulha-se de ter uma imagem masculina, dura e colorida.
No entanto, tu misturas isso com a cultura gay.
Pois. É isso que me atrai.
Então não estás a enfatizar o aspecto racial do tema, mas sim a cultura urbana e a cultura hip hop em particular… Mas não achas que muitas das pessoas que adoptam esse look o fazem apenas por uma questão de moda, sem terem qualquer noção de todo o background?
Sim, claro. Podem até nao gostar de hip hop. Mas porque tens que ter isso em conta? Se quiseres vestir alguma coisa, veste. Que se lixe.
A introdução de caracteres e palavras russas nos desenhos, o que significa?
Muitos desses desenhos comecei a fazê-los em museus. Outros fiz em conjunto com o Slava, até em aviões. Depois comecei a introduzir caracteres e símbolos russos nos desenhos, que vêm do meu fascínio por ele. À medida que desenhava, reparei que já intruduzia esta caligrafia virtualmente em todos os desenhos. E eu nem sei ler em Russo, apenas escolho as letras e as palavras que me agradam pelo seu aspecto visual. Nem me lembro do seu significado nem do som que fazem. Agora uso estes símbolos em tudo simplesmente porque gosto deles.
Nem tudo no teu trabalho, e nas obras Superm, faz sentido. Muitas vezes parece mais um resultado imediato sem quaisquer conceptualizações…
Em todo o nosso trabalho, nós nunca tentamos planear demasiado. Quanto mais planeamos, pior resulta. A arte que nós fazemos baseia-se na espontaneidade. Quando começo um desenho, não penso muito, limito-me a desenhar e ver o que sai. Isso é muito mais interessante do que tentar inventar um conceito. É triste ver que os outros artistas produzem um tipo de arte que parece muito fabricada. A arte que me interessa, de que eu gosto, é aquela que é pessoal. Fico cansado de ver paisagens, etc. Interessa-me a arte que diz algo sobre o artista. Que o artista fez porque isso significa algo para ele. Muitas vezes estás perante uma peça artística e nao sentes nada. Na minha arte tento fazer apenas aquilo que quero. Desenho apenas aquilo que quero ver. Se me pusesse a desenhar pensando num conceito popular ou algo que os outros quisessem ver, não seria nem de perto tão bom como quando estou a criar algo que sinto.
A atribulada vida de Brian
Brian Kenny nasceu na Alemanha mas foi viver para a América ainda era um bebé. Devido à profissão dos seus pais, viveu no Tenessee, Kansas, Colorado, Novo México, Maryland, Virginia, New Jersey e Nova Iorque. Andou em escolas diferentes todos os anos da sua vida. «O aspecto positivo disso é que me tornei muito bom em lidar com as mudanças, adaptei-me a andar por todo o lado e a conhecer novas pessoas. O lado negativo é que não tenho relações duradouras, não tenho amizades que tenham durado mais de dois anos, não tenho raízes. Uma das questões mais frequentes quando conheces alguém é: de onde és? Não sou alemão, vivi três anos aqui, três anos ali e em sítios muito diferentes, por isso é dificil dizer. Às vezes falo com pessoas que dizem ter amigos que conhecem uma vida inteira, e eu gostaria de saber o que isso é».
Jogou futebol quando era miúdo, mas a experiência mais séria como atleta foi quando praticou ginástica, dos 11 aos 15 anos. Pertencia a um ginásio onde treinava seis dias por semana, três horas por dia e ia a campeonatos. Não era tremendamente bom, mas levava o desporto muito a sério. Entretanto, teve que desistir porque ficou demasiado alto para este desporto. Mais tarde, praticou mergulho e freesbie. A dada altura começou a desenvolver o gosto pela música e entrou numa escola de música. «Quando andava no liceu queria estudar trompete, o que não fiz, mas entrei num coro. Descobri que gostava de cantar e então, quando estava a viver no Novo México, comecei a ter aulas de canto. Depois fomos para Massachussets e ofereceram-me uma espécie de bolsa para ir para uma escola privada de música. Era uma coisa em que eu era realmente bom e nessas alturas, quando descobres uma vocação, tentas segui-la. Mas o meu coração não estava empenhado nisso e foi por essa razão que acabei por desistir. Estava sempre a cantar para velhos, sempre numa língua diferente e músicas que tinham sido escritas há séculos… E não conseguia andar com os meus colegas porque eles eram muito diferentes de mim, eles eram os típicos cantores líricos e eu era um wigger. Mas foi muito bom andar nesta escola pois aprendi muito sobre música, o que mais tarde apliquei quando comecei a fazer música electrónica. Hoje faço todas as músicas para os nossos vídeos. Mas não penso em fazer música apenas. Acho que a minha música é um complemento da minha arte».
Depois de todas estas experiências, Brian conseguiu um emprego numa empresa em New Jersey, mas não resistiu muito tempo. «É horrível trabalhar numa empresa, dentro de um edificio enorme, num cubículo a fazer trabalhos que não me diziam nada. E gastar a tua vida e toda a tua energia num emprego desses não vale a pena». Finalmente, a empresa mudou-se e havia a possibilidade de sair ou ser deslocado para West Virginia. «Decidi acabar com tudo. E foi nessa altura que conheci o Slava. Foi mesmo na altura certa. Ele apareceu e eu fiquei completamente deslumbrado porque ele vivia a sua vida, ganhava o seu dinheiro a fazer o que lhe apetecia e a expressar as suas ideias. Senti que era o meu despertar e foi então que recomecei a desenhar e a fazer arte. Mudei-me para Nova Iorque e em 2004 fui viver com o Slava».
E para acabar a estrevista… Como é que decidiste finalmente enveredar pela carreira artística? E como evoluiram os desenhos pelos quais começaste?
Acho que os meus desenhos só começaram a ficar mesmo muito bons no ano passado. Foi quando abandonei todas as minhas ideias anteriores e conceitos e comecei a criar coisas mais pessoais e interessantes. Ao mesmo tempo, tinha medo de fazer um monte de porcarias mas decidi desenhar na mesma, embora sem mostrar a ninguém e sem me preocupar. No entanto, quando olhei para os desenhos achei que eram os melhores que já tinha feito. E por isso continuei e agora sinto-me confiante para trabalhar e expôr em museus e galerias. E sinto que mais tarde ou mais cedo, estes desenhos darão lugar a pinturas.
E daí para os Superm com Slava Mogutin…
Tivemos a ideia de criar o colectivo Superm no ano passado. Basicamente porque começámos a trabalhar sempre em conjunto e porque ambos trabalhamos individualmente temas que se interligam. Primeiro ele mostrava as fotografias e eu os desenhos, mas depois chegámos a um ponto em que desenhávamos e faziamos vídeos juntos, ele tirava fotografias enquanto eu fazia os vídeos e já não funcionávamos separadamente.
Revista Umbigo, Setembro 2006
Ler Mais / ComentarUmbigo, Junho de 2005
Slava Mogutin
O Hooligan
Por Miguel de Matos
Slava Mogutin é um voyeur de câmara descartável em riste. Excita-se ao fotografar amigos em situações íntimas, vulneráveis, como um homem a cheirar a axila do outro ou uma amiga a depilar a púbis e para ele, isso é mais excitante do que o sexo. Fotógrafo, jornalista, poeta, actor porno, modelo, performer… São várias as facetas deste russo exilado em Nova Iorque pelo simples facto de se ter assumido publicamente como gay num país socialmente hipócrita…
«Hooliganismo malicioso com um excepcional cinismo e insolência extrema» – foi a forma como o parlamento russo definiu o comportamento de Slava Mogutin. Aliás, uma perfeita definição do carácter provocatório do seu trabalho. Slava – Yaroslav Mogutin – nasceu na Sibéria em 1974. Aos 21 anos era já um conhecido jornalista. Conhecido não só pelos seus artigos controversos e poesia subversiva, como pelas revelações que fez, algumas acerca de políticos como Vladimir Zhirinovsky. Conhecida também era a sua conduta sexual, considerada como um crime. Após numerosas ameaças de morte, foi forçado a abandonar a Russia, encontrando asilo político nos EUA, com o apoio da Amnistia Internacional. Escreveu seis livros e iniciou recentemente a sua carreira de actor pelas mãos dos realizadores Bruce La Bruce e Laura Colella. É actualmente uma figura importante no underground novaiorquino. E os seus livros, que em tempos foram condenados, hoje são êxitos de vendas numa Rússia mais liberal.
Em My First Man: Sentimental Vomit, Slava escreve um relato autobiográfico que explica, em parte a sua obra fotográfica. A dada altura, o autor conta que o seu primeiro parceiro sexual «gostava do meu corpo, até mesmo das minhas pernas escanzeladas, que ele dizia serem “sexy”. Deve ter sido com ele que eu me apercebi de que era atraente e este conhecimento virou o meu mundo do avesso». Esta primeira vez foi um quase desastre, em parte pelo facto de o jovem Slava ter vomitado na cama. No final do texto, ele confessa: «A minha depressão adolescente cresceu e tornou-se em algo maior do que um simples desejo de uma boa vida e dos braços fortes de alguém. Ainda hoje escrevo não tanto sobre ele mas sim sobre o vómito em que, essencialmente, tudo começou. Desde então, sempre que vejo um vómito, fico sentimental».
Tendo em conta o teor das fotografias de Slava, a sua carreira tem seguido um percurso algo improvável, senão vejamos: desde 1999 que expõe regularmente em Moscovo (Regina Gallery), Nova Iorque (RARE Gallery, 357 Forum e até mesmo na badalada Deitch Projects), Melbourne, Grécia, Los Angeles, Copenhaga, etc. Em 2004, a Galeria Luís Serpa, em Lisboa, exibiu algumas peças do artista. De entre as revistas para as quais assina editoriais e projectos artísticos salientam-se: Attitude, BlackBook, The Face, Flaunt, I-D, Index, Neo2, Purple Sexe, Stern, Time Out, V, Visionaire e Vogue Rússia. Sente-se algumas ligações entre Slava Mogutin e fotógrafos como Nan Goldin (ver Umbigo #1) ou Wolfgang Tillmans (ver Umbigo #6) – a sua forma de expor as imagens, sem molduras, apenas fotos coladas nas paredem em composições geométricas, é similar à deste fotógrafo alemão. Recentemente, foi editado o livro 30 Interviews, com as entrevistas que Slava levou a cabo durante a primeira década da sua carreira – desta vez em versão integral e sem o dedo da censura. Entre os outros títulos já publicados salientam-se também America in my Pants (1999) e SS: Superhuman Supertexts (2000).
Mas regressando ao trabalho como fotógrafo, tudo começou com umas fotos fetichistas para a revista porno Honcho. Tema base: Fatos de cabedal, uniformes militares ou roupa de desporto. «A maior parte das vezes trabalhava com gajos com os quais andava a ter uma espécie de relação. Por isso, quando comecei a fotografar para revistas de moda russas, levei a mesma ideia», disse em entrevista à revista Index. Tal como Terry Richardson (Ver Umbigo # 11), Slava tenta forçar os limites entre a moda, o erotismo e a pornografia, acabando por “injectar” material hardcore em revistas mainstream.
Como já referi, Mogutin também se aventura na pele de modelo e actor (quase sempre nu). Faz parte das suas tendências exibicionistas. No entanto, a sua experiência no filme Skin Gang (também conhecido como Skin Flick), do polémico realizador Bruce La Bruce foi algo decepcionante. Slava, conhecido no meio porno como Tom International, não conseguiu dar à cena que interpretava o “climax” que se pedia, por estar demasiado nervoso – mesmo após um certo e determinado comprimidinho azul… Nesta cena, Slava canta e ao mesmo tempo carrega pelo cenário a modelo Nikki Uberti (na altura mulher do Sr. Richardson, que também estava presente a tirar fotografias), enquanto ela atira e parte pratos. Tudo isto, com as luzes fortes e uma câmara apontada, assusta qualquer homem, convenhamos…
A fotografia, a literatura e o sexo andam em caminhos paralelos na vida de Slava. E sempre com um lado político. Ainda neste filme, é de salientar a cena em que ele recita o poema A Story of Betrayal, em que, supostamente, o autor é adoptado e fornicado por um regimento militar russo durante a II Guerra Mundial, para depois fugir em direcção aos Nazis e trair os compatriotas, como vingança (uma alusão ao seu passado conturbado na Rússia, apimentado pelo fascínio sexual por skinheads e militares em geral). No futuro, um dos projectos de Mogutin é realizar um livro em que os seus textos e fotos proliferem em simbiose. Tudo, claro, com a sua marca sexual, poética, mas ao mesmo tempo política, agressiva e cáustica. No fundo, o que Slava pretende não é agradar ao seu público mas sim confrontá-lo e dominá-lo.
São pouco directos a mensagem ou os sentimentos que Mogutin quer transmitir através das suas imagens. No entanto, a força a elas inerente é inegável. A ambiguidade é omnipresente. Oscila entre o puro desejo sexual, a ironia, o humor e o desespero ou a desilusão. «Trata-se de desejar o amor, mas não num sentido sentimental. Amor em diferentes formas e dimensões, uma esmagadora sensação de alienação no nosso mundo corporativista e pós-apocalíptico como um todo e na subcultura urbana gay em particular», descreve Slava.
A humilhação sexual, a indefinição da chamada youth culture e o seu encontro com a beleza é o leitmotiv do trabalho fotográfico de Slava Mogutin, a par com o perscrutar da poesia existente nos olhos de jovens abandonados aos seus vícios, às suas frustrações, aos seus fetiches. Corpos captados em snapshot, submissos a uma força apenas compreensível pelos seus pares.
O Umbigo de Slava
Entre sessões de fotos na Rússia para a revista Black Book e o regresso a Nova Iorque para mais um “ataque artístico-sexual”, conseguimos trocar algumas palavras via net com Slava Mogutin:
Umbigo: Porque é que o fetichismo e a submissão ocupam um lugar tão importante no teu trabalho?
Slava Mogutin: Acho que nasci pervertido! Acho que o fetiche sexual dos pés ou dos ténis é muito mais excitante do que simples cenas de foda. Jogos com brinquedos, máscaras, jockstraps, fatos de luta livre, roupa de desporto e uniformes de todos os tipos. Gosto de fotografar pessoas em situações vulneráveis e íntimas, como um gajo a snifar o sovaco do outro ou um rapaz no sofá com um pepino enfiado pelo rabo acima, ou skinheads a mijar e cuspir uns em cima dos outros. Gosto de mostrar cenas e imagens que normalmente seriam consideradas “obscenas” ou “chocantes”. Gosto de mostrar a beleza fundamental e a inocência destas situações. Estou a tentar compreender o conceito de “vergonha” ao ser “desavergonhado” – totalmente livre de tabus morais e estereótipos.
O que quiseste explorar com o texto Sentimental Vomit?
Sentimental Vomit é a memória do meu primeiro encontro sexual com outro homem. Eu tinha 17 anos, já sabia que era bicha e estava só à espera de ser seduzido e perder a minha virgindade. Foi tudo muito desajeitado e confuso, mas o objectivo foi descrever tudo aquilo da forma mais fria e distanciada possível. Tentei rejeitar o meu sentimento de raiva e angústia adolescente.
Que relação é que tens actualmente com o teu próprio corpo, com a tua imagem?
Cheguei a uma boa relaçao com o meu corpo, o que significa que não sinto vergonha nem tenho medo dele. Mas já não sou tão exibicionista como era. Ultimamente prefiro estar atrás da câmara do que em frente dela.
Como descreverias os rapazes que costumas fotografar? Sentes-te de alguma forma identificado com eles?
Fotografo principalmente amigos meus. Não gosto de usar modelos profissionais. Para mim é essencial ter uma ligação pessoal com os meus sujeitos de modo a conseguir obter deles bons retratos. Quero que os meus retratos contem uma história, mostrem o verdadeiro carácter, emoções e movimentos reais.
Conta-me como se processa uma das tuas sessões fotográficas…
Não sou um fotógrafo de estúdio. Uma vez que uso quase sempre câmaras instantâneas e descartáveis, a maior parte das minhas fotografias são instantâneos reais de situações e cenários reais. Nada encenado ou forçado. Mesmo quando fotografo para revistas, prefiro trabalhar sem produtores, cabeleireiros ou maquilhadores. Penso sempre que as sessões devem ser divertidas. A minha câmara é apenas uma parte do jogo, mas não a parte principal. Por vezes uso um estilo de reportagem mesmo cru, como na minha série a preto e branco dos Skinheads de Berlim. Às vezes produzo os meus modelos ou sugiro certas coisas mas nunca forçaria os meus modelos a fazer fosse o que fosse e nunca lhes pediria para fazer algo que eu próprio não fizesse.
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