— Folha de Sala

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"arte"


Miguel Matos ficou baralhado entre a realidade e a ficção com as novas obras de Pilar Albarracín.

São paradoxos surpreendentes, as chamadas “inverdades”. Imagens que contam histórias falsas e questionam aquilo que é verosímil. Assim tem trabalhado ultimamente a artista espanhola Pilar Albarracín. “300 Mentiras – Primeira Parte” é a exposição que traz cenas fortes, espetadas nos nossos olhos a partir das paredes da Galeria Filomena Soares. Sim, espetadas, porque a obra de Pilar desde sempre que não prima pela suavidade, mas antes pela contundência – quem sabe por herança histórica do seu país…

A maior parte dos artistas baseia o seu trabalho numa busca incessante da verdade. Pilar Albarracín procura a mentira! A fotografia é, por excelência, um meio de documentar a realidade, mas para Pilar é um instrumento de construção de ficções, de narrativas. Um meio que interroga a sociedade e as suas regras, o seu funcionamento e valores morais através da subversão de símbolos. A condição feminina, os estereótipos da cultura contemporânea cruzados com os da tradicional e a luta contra a submissão são alguns dos temas que desenvolve e sobre os quais discursa em formato de fotografias, vídeos, performances, objectos ou instalações. Neste caso, as “300 Mentiras” são todas fotográficas e abraçam a história social e a parafernália das imagens pop.

Pilar Albarracín está neste momento em destaque em Lisboa: é ela a artista que abre e encerra a exposição “She is a Femme Fatale”, no Museu Berardo, patente até ao final de Janeiro. Aqui aparece em auto-retrato vestida de toureiro, num questionamento da feminilidade e do poder. Finaliza com uma instalação de dezenas de panelas de pressão que assobiam, mais uma vez aludindo ao papel doméstico muitas vezes destinado à mulher pelos valores mais conservadores. Agora, nesta que é a sua série mais recente, Pilar mente. Quais são as mentiras que tem para contar? São mentiras que reconhecemos em outros contextos como verdades, como acontecimentos que marcaram a actualidade em algum ponto da história ou, por outro lado, imagens que se apropriam de referências cuja origem o observador já não identifica. São testemunhos de momentos da História que poderiam ter acontecido. Mas será que aconteceram, afinal?

Um monte de gente encapuzada, uma multidão à espera de passar a estrada como macacos, uma mulher vítima de repressão policial, uma figura feminina rebelde… Cenas facilmente reconhecíveis pelo que chega na TV. No fundo, “300 Mentiras” aborda também as realidades construídas pelos meios de comunicação social e mistura a mentira com a versão “oficial” dos acontecimentos. Como explica Elena Sacchetti, investigadora do Centro de Estudos Andaluzes, “cada ‘mentira’ (…) é atravessada por conteúdos mais abrangentes nos quais a artista se apoia: a identidade procurada, negada ou afirmada; as culturas baseadas no género; a tensão entre a vida e a morte; a luta pelo poder como fenómeno ancestral e actual; as assimetrias sociais, de género, étnicas e de estatuto social; a submissão ao poder estabelecido”. Uma exposição entre a realidade e a invenção, a imagem e a imaginação.

“300 Mentiras” está patente na Galeria Filomena Soares (R. da Manutenção, 80) de 21 de Janeiro a 6 de Março. Aberta de terça a sábado das 10.00 às 20.00 horas. A entrada é gratuita.

Time Out, 19 de Janeiro de 2010

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Miguel Matos fez uma viagem ao passado e recordou os contos infantis, desconstruídos pelas mãos de Ana Janeiro.

Era uma vez uma fotógrafa chamada Ana Janeiro. Certo dia ela vestiu a capa do Capuchinho Vermelho e comeu a maçã envenenada da Branca de Neve. Como escapou ilesa destas aventuras, decidiu fazer uma pesquisa sobre os mágicos contos populares da nossa infância e descobriu que inocência é coisa que eles não têm. É a sua interpretação do sentido original destes mitos que se mostra na Galeria Paulo Amaro, na exposição “Who’s The Fairest One of All?”.
Tal como tem acontecido nos teus trabalhos anteriores, és tu quem aparece nas fotografias, mas estas imagens não são exactamente autoretratos, uma vez que o que vemos são personagens exteriores a ti. No fundo, é como se fosses apenas a tua própria modelo, certo?

Sim, também. Eu julgo que há sempre um bocadinho de mim, mas eu uso-me para representar outras personagens. Neste caso, fascinou-me a ideia de pegar nos contos infantis porque o meu trabalho tem sido sempre baseado na memória e na intimidade. Estes contos são a memória colectiva da infância.

São cenas que fazem parte da nossa estrutura “psicanalítica”…

Claro, e muito daquilo que aprendemos socialmente é transmitido pelos contos infantis, que têm também essa função. Foi isso que eu achei interessante. Estudei a origem das histórias infantis antes de elas o serem. Eram contos populares e muitos deles, na sua versão original, não são nada aconselháveis para crianças. Como eram histórias de tradição oral, não há registos originais, mas sim da versão escrita mais antiga, que não será a primeira. E, ao longo dos tempos, mesmo o papel das personagens foi altamente modificado ao longo dos tempos.

Podes dar um exemplo?

“O Capuchinho Vermelho” originalmente chamava-se “A História da Avozinha”. É completamente diferente o papel da mulher nesta história: em vez de ser uma menina que tem de ser salva por um caçador, trata-se de uma mulher que se safa sozinha das investidas do lobo. Isto é completamente diferente daquilo que nós aprendemos. Na sua versão mais antiga, ela vai a casa da avozinha levar comida, encontra o lobo na floresta, este encontra a casa da avozinha e come-a. Mas não a come toda; guarda o resto da carne e do sangue na despensa. Quando o Capuchinho Vermelho lá chega, o lobo finge que é a avozinha na cama e pede-lhe para se meter na cama com ele. Pede-lhe também para se despir e ela pergunta-lhe o que fazer com a roupa. O lobo responde: “Deita-a na fogueira pois já não vais precisar dela”. Ela enfia-se na cama com o lobo e percebe que não é a avozinha. Então diz que tem que fazer uma coisa lá fora. Ele não quer, mas ela insiste. Então o lobo amarra-a com uma corda pelo tornozelo. O Capuchinho Vermelho chega à rua, amarra a corda numa ameixoeira e foge. Quando o lobo se apercebe já é tarde demais.

Portanto, a história inicial foi completamente subvertida. O Capuchinho Vermelho passou de mulher corajosa a menina inocente e devorada…
Interessa-me a maneira como o papel social da mulher foi mudado ao longo dos tempos. Quem deu a este conto a sua carga moral foi Charles Perrault. Segundo a versão dele, a menina que ia na floresta distraiu-se a apanhar flores e portanto foi comida pelo lobo.

E quanto à segunda história que vemos nestas imagens, a Branca de Neve? O que lhe aconteceu?

O registo mais antigo é dos Irmãos Grimm, mas a versão original tem algumas diferenças. A principal está na forma como a história acaba. O Príncipe não a salva com um beijo, os anões levam-na no tal caixão de vidro e tropeçam numa pedra. Com o solavanco, o caroço que estava alojado na garganta salta e a Branca de Neve acorda. No casamento do Príncipe e da Branca de Neve, quando o pai descobre o que a madrasta tinha feito, eles resolvem castigá-la obrigando-a a dançar até à morte nuns sapatos de ferro em brasa. É um final brutal e é daí que vem a série de fotografias da mulher a dançar. Aliás, numa versão de que não existem registos escritos, não é a madrasta, mas sim a mãe que quer matar a filha porque está a crescer e a tornar-se mais bela do que ela própria. É uma dualidade quase esquizofrénica, como se a madrasta (ou a mãe) e a filha fossem a mesma personagem. Essa questão do duplo está sempre presente no meu trabalho.

E no entanto, acaba por ser uma história ainda actual, no sentido em que a busca desenfreada pela juventude é cada vez mais forte nos dias de hoje…

Sim, com todas as cirurgias plásticas que existem…

O teu trabalho fala muitas vezes sobre a questão da condição feminina, mas num discurso sobre a mulher que é mais intimista do que político…

Nunca pensei muito nessas questões políticas, embora acabe sempre por ser um pouco. Toco no feminismo porque é incontornável ao falar da mulher, mas gosto de explorar isso de um ponto de vista mais pessoal e íntimo.
E daí, como dissemos antes, utilizares o auto-retrato para contar uma história que afinal não é tua?

Mas também é minha…

“Who’s The Fairest of them All?” está patente na Galeria Paulo Amaro (Rua Capitão Leitão, nº14) até 27 de Fevereiro. Aberta de terça a sábado das 11.00 às 19.30. A entrada é gratuita.

Time Out, 12 de Janeiro de 2010

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Brian Kenny

Odisseia Artístico-Pessoal de um Wigger

Por Miguel de Matos

Quem é leitor regular da Umbigo lembra-se concerteza da capa da edição 13, Slava Mogutin. Foi com Slava que o artista americano Brian Kenny veio a Portugal neste Verão – os dois criaram o colectivo Superm, desenvolvendo trabalho em vídeo, fotografia, desenho, grafitti, inatalação e mural. E foi com eles que a Umbigo passou alguns dias a fazer turismo dentro da nossa Lisboa e arredores. De Slava já vos contámos a história. Por isso aqui fica uma das muitas conversas tidas entre o Noobai, o Crew Hassan, a Brasileira, o cais do Ginjal e um quase secreto hostel no Saldanha….

Antes de mais, um esclarecimento acerca de um conceito que será útil no texto que se segue acerca Brian Kenny: wigger. O urbandictionary.com define wigger da seguinte maneira: Um indivíduo caucasiano do sexo masculino, normalmente nascido e criado nos subúrbios, e que demonstra um forte desejo de emular a cultura e o estilo hip hop afro-americano através da moda “bling” e princípios de conduta relativos à chamada “thug life”. A este conceito está também associado, em Portugal pelo menos, o fenómeno tuning.

Afinal de contas o que significa para ti o conceito wigger e o que pretendes dizer sobre isso? É uma crítica? É um elogio ao seu estilo?

Muitas pessoas usam esse termo de uma forma negativa. É como um branco chamar preto a um negro. Eu não vejo as coisas assim. Assumo-me como um wigger, mas viro o conceito de pernas para o ar e aceito-o. Eu gosto de ser um wigger. Não se trata exactamente da cultura negra, mas sim da cultura hip hop, que é muito mais abrangente e já não é uma questão de raça…

Mas podemos ir buscar outras interpretações, também pelo facto de ser um estilo associado a uma etnia… Existe a questão racial neste teu trabalho?

É a cultura hip hop que estes rapazes adoptam, embora isso ainda seja visto de um ponto de vista racial. O hip hop é o rock da minha geração. Cresci com este género musical sempre à minha volta. Na escola toda a gente vestia roupas de hip hop, é natural que eu goste disso. Mas conheço muitos brancos que são relutantes em relação a serem muito óbvios no que diz respeito a gostarem de hip hop porque não querem ser vistos como brancos a fingirem que são negros. E eu acho que isso é muito estúpido. É por isso que uso tanto esse termo. Não o vejo como algo negativo. Tem as suas raízes tradicionais entre as pessoas negras, mas hoje em dia move-se para além disso. Por outro lado, é óbvio que o termo wigger é uma distinção racial, por isso, tentar explicar o termo sem incluir a questão da raça não funciona. A série wigger não pretende falar de barreiras raciais. Fi-lo porque considero-me um wigger, gosto de wiggers e por isso decidi, juntamente com o Slava, fazer uma exposição com esse tema. É tão simples como isso.

E o que há de sexual nisso?

Porque acho os wiggers sexy? Não sei. Porque é que as pessoas acham que os saltos altos são sexy? Acho-os sexy e pronto. Quando se cresce sexualmente, muitos dos pensamentos sexuais têm a ver com aquilo que desejas ser. Quando eu era um miúdo, lembro-me que a maior parte dos rapazes populares da escola – e que eu queria imitar – eram wiggers. Usavam todos roupas largas, eram muito masculinos. A cultura hip hop orgulha-se de ter uma imagem masculina, dura e colorida.

No entanto, tu misturas isso com a cultura gay.

Pois. É isso que me atrai.

Então não estás a enfatizar o aspecto racial do tema, mas sim a cultura urbana e a cultura hip hop em particular… Mas não achas que muitas das pessoas que adoptam esse look o fazem apenas por uma questão de moda, sem terem qualquer noção de todo o background?

Sim, claro. Podem até nao gostar de hip hop. Mas porque tens que ter isso em conta? Se quiseres vestir alguma coisa, veste. Que se lixe.

A introdução de caracteres e palavras russas nos desenhos, o que significa?

Muitos desses desenhos comecei a fazê-los em museus. Outros fiz em conjunto com o Slava, até em aviões. Depois comecei a introduzir caracteres e símbolos russos nos desenhos, que vêm do meu fascínio por ele. À medida que desenhava, reparei que já intruduzia esta caligrafia virtualmente em todos os desenhos. E eu nem sei ler em Russo, apenas escolho as letras e as palavras que me agradam pelo seu aspecto visual. Nem me lembro do seu significado nem do som que fazem. Agora uso estes símbolos em tudo simplesmente porque gosto deles.

Nem tudo no teu trabalho, e nas obras Superm, faz sentido. Muitas vezes parece mais um resultado imediato sem quaisquer conceptualizações…

Em todo o nosso trabalho, nós nunca tentamos planear demasiado. Quanto mais planeamos, pior resulta. A arte que nós fazemos baseia-se na espontaneidade. Quando começo um desenho, não penso muito, limito-me a desenhar e ver o que sai. Isso é muito mais interessante do que tentar inventar um conceito. É triste ver que os outros artistas produzem um tipo de arte que parece muito fabricada. A arte que me interessa, de que eu gosto, é aquela que é pessoal. Fico cansado de ver paisagens, etc. Interessa-me a arte que diz algo sobre o artista. Que o artista fez porque isso significa algo para ele. Muitas vezes estás perante uma peça artística e nao sentes nada. Na minha arte tento fazer apenas aquilo que quero. Desenho apenas aquilo que quero ver. Se me pusesse a desenhar pensando num conceito popular ou algo que os outros quisessem ver, não seria nem de perto tão bom como quando estou a criar algo que sinto.

A atribulada vida de Brian

Brian Kenny nasceu na Alemanha mas foi viver para a América ainda era um bebé. Devido à profissão dos seus pais, viveu no Tenessee, Kansas, Colorado, Novo México, Maryland, Virginia, New Jersey e Nova Iorque. Andou em escolas diferentes todos os anos da sua vida. «O aspecto positivo disso é que me tornei muito bom em lidar com as mudanças, adaptei-me a andar por todo o lado e a conhecer novas pessoas. O lado negativo é que não tenho relações duradouras, não tenho amizades que tenham durado mais de dois anos, não tenho raízes. Uma das questões mais frequentes quando conheces alguém é: de onde és? Não sou alemão, vivi três anos aqui, três anos ali e em sítios muito diferentes, por isso é dificil dizer. Às vezes falo com pessoas que dizem ter amigos que conhecem uma vida inteira, e eu gostaria de saber o que isso é».

Jogou futebol quando era miúdo, mas a experiência mais séria como atleta foi quando praticou ginástica, dos 11 aos 15 anos. Pertencia a um ginásio onde treinava seis dias por semana, três horas por dia e ia a campeonatos. Não era tremendamente bom, mas levava o desporto muito a sério. Entretanto, teve que desistir porque ficou demasiado alto para este desporto. Mais tarde, praticou mergulho e freesbie. A dada altura começou a desenvolver o gosto pela música e entrou numa escola de música. «Quando andava no liceu queria estudar trompete, o que não fiz, mas entrei num coro. Descobri que gostava de cantar e então, quando estava a viver no Novo México, comecei a ter aulas de canto. Depois fomos para Massachussets e ofereceram-me uma espécie de bolsa para ir para uma escola privada de música. Era uma coisa em que eu era realmente bom e nessas alturas, quando descobres uma vocação, tentas segui-la. Mas o meu coração não estava empenhado nisso e foi por essa razão que acabei por desistir. Estava sempre a cantar para velhos, sempre numa língua diferente e músicas que tinham sido escritas há séculos… E não conseguia andar com os meus colegas porque eles eram muito diferentes de mim, eles eram os típicos cantores líricos e eu era um wigger. Mas foi muito bom andar nesta escola pois aprendi muito sobre música, o que mais tarde apliquei quando comecei a fazer música electrónica. Hoje faço todas as músicas para os nossos vídeos. Mas não penso em fazer música apenas. Acho que a minha música é um complemento da minha arte».

Depois de todas estas experiências, Brian conseguiu um emprego numa empresa em New Jersey, mas não resistiu muito tempo. «É horrível trabalhar numa empresa, dentro de um edificio enorme, num cubículo a fazer trabalhos que não me diziam nada. E gastar a tua vida e toda a tua energia num emprego desses não vale a pena». Finalmente, a empresa mudou-se e havia a possibilidade de sair ou ser deslocado para West Virginia. «Decidi acabar com tudo. E foi nessa altura que conheci o Slava. Foi mesmo na altura certa. Ele apareceu e eu fiquei completamente deslumbrado porque ele vivia a sua vida, ganhava o seu dinheiro a fazer o que lhe apetecia e a expressar as suas ideias. Senti que era o meu despertar e foi então que recomecei a desenhar e a fazer arte. Mudei-me para Nova Iorque e em 2004 fui viver com o Slava».

E para acabar a estrevista… Como é que decidiste finalmente enveredar pela carreira artística? E como evoluiram os desenhos pelos quais começaste?

Acho que os meus desenhos só começaram a ficar mesmo muito bons no ano passado. Foi quando abandonei todas as minhas ideias anteriores e conceitos e comecei a criar coisas mais pessoais e interessantes. Ao mesmo tempo, tinha medo de fazer um monte de porcarias mas decidi desenhar na mesma, embora sem mostrar a ninguém e sem me preocupar. No entanto, quando olhei para os desenhos achei que eram os melhores que já tinha feito. E por isso continuei e agora sinto-me confiante para trabalhar e expôr em museus e galerias. E sinto que mais tarde ou mais cedo, estes desenhos darão lugar a pinturas.

E daí para os Superm com Slava Mogutin…

Tivemos a ideia de criar o colectivo Superm no ano passado. Basicamente porque começámos a trabalhar sempre em conjunto e porque ambos trabalhamos individualmente temas que se interligam. Primeiro ele mostrava as fotografias e eu os desenhos, mas depois chegámos a um ponto em que desenhávamos e faziamos vídeos juntos, ele tirava fotografias enquanto eu fazia os vídeos e já não funcionávamos separadamente.

Revista Umbigo, Setembro 2006

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